NOTÍCIAS 

 

A Petros solicitou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a abertura de um processo de investigação sobre eventuais irregularidades cometidas por administradores e gestores terceirizados. A fundação alega que os agentes podem ter cometido irregularidades na gestão e administração dos fundos de investimentos em participações (FIPs) Enseada e Brasil Petróleo 1.

No caso do FIP Enseada, a Petros acredita que possa ter havido conflito de interesses do Bradesco, que atuava como custodiante do fundo e tinha ainda as empresas de seu grupo, BEM Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e a Bradesco Asset Management – Bram, como administradora e gestora do fundo. O FIP Enseada foi constituído em 2010, com o objetivo de investir na Companhia Brasileira de Tecnologia Digital (CBTD). A companhia foi criada para viabilizar o retorno da marca Gradiente através de um novo plano de negócios.

O Bradesco, por sua vez, também era o principal credor da Gradiente quando a empresa entrou em falência, e os recursos provenientes da recuperação extrajudicial da empresa seriam destinados à quitação das dívidas junto ao próprio banco. “Contudo, a CBTD não obteve êxito quanto à reinserção de produtos da marca Gradiente no mercado, resultando na perda integral de todo o investimento dos cotistas no FIP”, alega a Petros. A fundação calcula que seus investimentos tiveram perdas de R$ 17,5 milhões, montante que representava 25% das cotas do fundo.

Já em relação ao FIP Brasil Petróleo 1, a Petros alega que a Caixa Econômica Federal, administradora do fundo, e os gestores Mare Investimentos e Mantiq Investimentos, fizeram mudanças na estratégia de investimentos sem aprovação dos cotistas. Criado em 2012, o FIP tinha como objetivo investir em empresas do setor de petróleo e gás, sendo um dos investimentos destinados à construção de uma fábrica no Brasil. Mas segundo a Petros, os recursos foram aplicados na implantação de uma fábrica nos Estados Unidos, trazendo como risco de investimento a aplicação da legislação daquele país. “O negócio não obteve o desempenho esperado, levando ao provisionamento de perda de R$ 100,3 milhões para o fundo, do qual a Petros detém 17,08% de participação”, diz a fundação.

Segundo a Petros, o pedido pela investigação faz parte de um conjunto de medidas para recuperar recursos perdidos com os investimentos nesses fundos. “Essa medida pode ser estendida a outros ativos com o objetivo de responsabilizar agentes que, no exercício de suas atribuições, possam ter cometido irregularidades, aumentando a exposição do investimento ao risco”, diz Walter Mendes, presidente do fundo de pensão, em comunicado. Nos requerimentos, a Petros solicita à CVM, caso a autarquia conclua que houve irregularidades, que comunique ao Ministério Público para que o mesmo responsabilize os envolvidos e tente recuperar os recursos investidos.

 

Agência Investidor Online

ASTAPE-BA - ASSOCIAÇÃO DOS TRABALHADORES, APOSENTADOS E PENSIONISTAS DA PETROBRAS DA BAHIA.