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A Operação Greenfield, da Polícia Federal, atingiu os quatro maiores fundos de pensão estatais brasileiros: Petros (Petrobrás), Funcef (Caixa), Previ (Banco do Brasil) e Postalis (Correios). Com autorização da Justiça do Distrito Federal, foram bloqueados R$ 8 bilhões de investigados, incluindo ex-dirigentes de empreiteiras, ex-administradores dos fundos e empresários. A operação apura "gestão temerária e fraudulenta". Cinco pessoas foram presas e 28, conduzidas coercitivamente. Entre elas, os empresários Wesley Batista, da J&F, Eugênio Staub, da Gradiente, Gerson Almada, da Engevix, e Walter Torre, da WTorre. Segundo o juiz Vallisney Oliveira, a investigação apontou aquisição de cotas em Fundos de Investimentos por Participação com base em avaliações irregulares. O objetivo era superestimar o valor dos ativos das empresas para aumentar a quantia investida. Na prática, um esquema parecido ao superfaturamento de obras públicas. 
R$ 48,7 bilhões 
foi o prejuízo registrado pelos quatro fundos por má gestão, envelhecimento da população e fatores conjunturais 
Operação apura fraudes de maiores fundos de pensão 
A Polícia Federal realizou ontem a Operação Greenfield, que atingiu os quatro maiores fundos de pensão estatais brasileiros - Petros (Petrobrás), Funcef (Caixa), Previ (Banco do Brasil) e Postalis (Correios). Autorizada pela Justiça do Distrito Federal, a operação bloqueou R$ 8 bilhões dos investigados, entre eles ex-dirigentes de empreiteiras, como OAS e Engevix, ex-administradores dos fundos e proprietários de grandes empresas. A operação investiga "gestão temerária e fraudulenta" nos fundos patrocinados pelas estatais. 
Até a conclusão desta edição, cinco pessoas haviam sido presas temporariamente e 28 conduzidas coercitivamente - quando o investigado é levado a depor pela autoridade policial -, entre elas os empresários Wesley Batista, da J&F, Eugênio Staub, da Gradiente, Gerson Almada, da Engevix, e Walter Torre, da WTorre. Joesley Batista, da J&F, também tem um mandado de condução coercitiva em seu nome, mas não compareceu porque está no exterior. Ele informou que vai se apresentar às autoridades assim que chegar ao País. Por se tratar de uma investigação de primeira instância, a Greenfield não apontou a participação de políticos. 
Porém, o PT e o PMDB influenciaram na escolha dos dirigentes das entidades quando os investimentos suspeitos foram feitos. Desde o início do governo Luiz Inácio Lula da Silva, os fundos de pensão se tornaram o segundo maior financiador de infraestrutura do País, atrás apenas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Nos 13 anos de gestão petista, Previ, Funcef e Petros, majoritariamente, eram controladas pelo PT e o Postalis, pelo PMDB. Alguns desses aportes começaram a ser investigados ainda na Operação Lava Jato, como a Sete Brasil, empresa criada para fornecer as sondas para a Petrobrás e que entrou em recuperação judicial. 
Petros, Funcef e Previ são sócias da Sete. A casa do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto - que cumpre prisão na Lava Jato - foi alvo de mandado de busca e apreensão e três imóveis dele foram sequestrados pela Justiça. Segundo os investigadores, ele teria negociado a aprovação de um investimento do Funcef em um fundo da OAS Empreendimentos, "em detrimento do patrimônio" do fundo de pensão da Caixa Econômica Federal. Também foram alvo de condução coercitiva os ex-presidentes dos fundos Postalis Alexej Predtechensky, Previ Sérgio Rosa e Petros Carlos Fernando Costa. 
FIPs. Em despacho no qual autorizou as medidas contra 40 pessoas, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10.ªVara Federal do Distrito Federal, disse que a investigação mostrou que parte dos fundos de pensão adquiriu cotas em fundos de investimentos por participação (FIPs) com base em avaliações econô- mico-financeiras irregulares. No entendimento dos investigadores, o "objetivo real" das avaliações era superestimar o valor dos ativos das empresas destinatárias dos aportes de modo a aumentar, de forma artificial, a quantia a ser investida pelo fundos de pensão. Na prática, apontou o juiz, o esquema era parecido com o de superfaturamento em obras pú- blicas. "Os fundos pagavam pelas cotas do FIP mais do que elas de fato valem, sofrendo um prejuízo "de partida", independente do próprio sucesso que venha a empresa a ter no futuro." 

Segundo a PF, a investigação tem como alvo dez casos revelados com base na análise das causas dos déficits bilionários apresentados pelos fundos de pensão. Desses dez casos, oito são relacionados a investimentos por meio dos seguinte FIPs: Cevix, Multiner, Sondas, OAS Empreendimentos, Enseada, RG Estaleiros, Florestal e Global Equity. Além dos FIPs, são alvo da investigação a compra por Previ, Petros e Funcef de cotas na Invepar e o prejuízo sofrido pela Funcef na alienação subfaturada de salas comerciais no edifício da OAB no Distrito Federal. São investigadas 38 pessoas jurídicas e 74 pessoas físic 
Entre elas estão o banco Santander, a J&F (holding da JBS), as empreiteiras OAS, Engevix e WTorre, a Gradiente, a Invepar, a Rio Bravo, a Brookfield, a massa falida do banco BVA, a BRAM e BEM DTVM (Bradesco) e as consultorias R.S e Lakeshore. Dos sete mandados de prisão temporária expedidos, cinco foram cumpridos: Carlos Augusto Borges, Demósthenes Marques, Guilherme Lacerda e Mauricio Marcelini, do Funcef, e Humberto Viana, da Petros. Carlos Alberto Caser e Fabio Maimoni, do Funcef, eram considerados foragidos. / FABIO SERAPIÃO, ANDREZA MATAIS, MURILO RODRIGUES ALVES, FAUSTO MACEDO, JULIA AFFONSO e RICARDO BRANDT 
Entidades respondem por 62,6% do rombo do sistema em 2015 
Os quatro fundos de pensão alvo da Operação Greenfield respondem por 62,6% do rombo acumulado de todo o sistema em 2015. Juntos, Funcef, Petros, Previ e Postalis registraram déficit de R$ 48,7 bilhões. Em 2015, a Petros registrou déficit de R$ 22,6 bilhões; Previ, R$ 16,1 bilhões; Funcef, R$ 8,8 bilhões; e Postalis, R$ 1,2 bilhão, segundo a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc). A Greenfield foi realizada de forma conjunta entre Polícia Federal, Ministério Público Federal, Previc e Comissão de Valores Mobiliários (CVM). / M.R.A 


PT indicou dirigentes da Previ e do Petros 
O fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás, Petros, esteve sob o comando direto de sindicalistas do PT, de 2012 a 2014, período em que foram tomadas decisões de investimento consideradas de alto risco e de retorno financeiro duvidoso. Segundo fontes do Conselho Deliberativo, órgão administrativo máximo da fundação, a Petrobrás foi pressionada nos últimos anos para que a diretoria da Petros fosse escolhida pelos empregados, em votação interna. Essa seria uma tentativa de despolitizar a instituição. 
A proposta chegou a ser levada ao Conselho de Administração da estatal, mas nunca avançou por esbarrar na resistência de líderes petistas ligados à CUT. Hoje, o fundo é comandado por Walter Mendes Júnior, que, no mês passado, renunciou a uma cadeira no Conselho de Administração da estatal para assumir a Petros. Com passagem pelo Itaú Unibanco e por fundos estrangeiros de investimento, Mendes Júnior é reconhecido pelo mercado financeiro como um executivo de perfil técnico. 
Ele foi indicado pelo atual presidente da Petrobrás, Pedro Parente. Já a Previ teve nos últimos anos em seu comando quatro presidentes: Sérgio Rosa, Ricardo Flores, Dan Conrado e Gueitiro Genso. Ex-sindicalista e diretamente ligado ao PT, Rosa presidiu o maior fundo de pensão do País por dois mandatos, desde o início do governo Lula, em 2003, até 2010. Apesar de petista fiel, o executivo era considerado muito autônomo e técnico para os padrões do Planalto à época. 
Rosa não conseguiu fazer seu sucessor na Previ. Depois dele passaram a comandar o fundo nomes de perfil técnico. O primeiro foi Ricardo Flores, que acabou saindo por decisão de Dilma Rousseff, após uma queda de braço com o então presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine. Depois de Flores assumiram Dan Conrado e, no ano passado, Genso, ambos sem fortes ligações políticas. 


 (Fernanda Nunes e Mariana Durão - O Estado de S.Paulo)

ASTAPE-BA - ASSOCIAÇÃO DOS TRABALHADORES, APOSENTADOS E PENSIONISTAS DA PETROBRAS DA BAHIA.